Quero ser astrônomo(a): Perguntas frequentes sobre a carreira

Afinal... Por que estudar astronomia?


A astronomia é a ciência que permite ao ser humano tentar responder a questões quase tão antigas quanto a própria humanidade: de onde viemos? Para onde vamos? Estamos sozinhos no universo? "Procuramos, com meios científicos, responder a tais questões e compreender como funciona o universo, as galáxias que o povoam, as estrelas, os planetas. Saber se existem outros planetas no universo e se eles se parecem com o nosso. E, dentro de algum tempo, saber se eles são habitados por seres vivos, talvez feitos de células como nós." (Pierre Gaillard, Unesco)




Mas na prática hoje em dia, pra que serve a astronomia?


De acordo com os professores da UFRGS ( http://astro.if.ufrgs.br/): "Nosso objetivo é utilizar o Universo como laboratório, deduzindo de sua observação as leis físicas que poderão ser utilizadas em coisas muito práticas, desde prever as marés e estudar a queda de asteróides sobre nossas cabeças, até como construir reatores nucleares, analisar o aquecimento da atmosfera por efeito estufa causado pela poluição, necessários para a sobrevivência e desenvolvimento da raça humana." Uma outra resposta muito interessante encontra-se na página do Observatório Nacional: Pra que serve a astronomia?




Qual o panorama da astronomia brasileira?


A pesquisa brasileira em astronomia, desde o estudo de planetas e satélites do Sistema Solar, até o estudo do Universo em grande escala, passando por meio interestelar, estrelas, aglomerados de estrelas, galáxias e aglomerados de galáxias, tem contribuído significativamente para o desenvolvimento da astronomia e astrofísica internacional. Uma das razões deste desenvolvimento é que, além de utilizar o telescópio do Laboratório Nacional de Astrofísica, os astrônomos brasileiros têm apresentado projetos aos grandes telescópios internacionais, e como estes projetos são julgados pelo mérito científico, e não pelo país de origem do projeto, têm conseguido utilizar grandes telescópios em diversos países, principalmente os telescópios americanos e europeus instalados no Chile, e mesmo os telescópios instalados em satélites em órbita da Terra, como o Telescópio Espacial Hubble. A partir de 2004 contamos com o telescópio de 4.2m de diâmetro SOAR (SOuthern Astrophysical Research) no Chile, com 33% de participação brasileira.
Em 2010, o governo federal iniciou a negociação para a entrada do Brasil no ESO (European Southern Observatory). Com a entrada no ESO, a comunidade astronômica brasileira participou por 8 anos do maior consórcio astronômico da atualidade, com direito a acessar os maiores telescópios óticos e radiotelescópios em operação e construção, assim como a sua avançada instrumentação. Em particular, a possibilidade de acesso ao ALMA e ao APEX tinha um grande impacto na comunidade de radioastronomia brasileira. No entanto, desde março de 2018 o Brasil teve sua participação no ESO suspensa por questões financeiras e burocráticas. Em maio de 2018 voltou-se a falar numa possível renegociação do governo brasileiro, porém ainda em aberto. Torcemos para que um novo acerto seja firmado, porque o ingresso do país no ESO amplia a inserção da comunidade astronômica brasileira na comunidade internacional, propiciando, naturalmente, maior convívio e colaboração com astrônomos europeus, fortalecendo a nossa competitividade e estimulando tanto o seu crescimento quantitativo como a qualidade do trabalho científico desenvolvido. Para ler mais sobre o mercado da astronomia brasileira, acesse: http://www.iag.usp.br/astronomia/carreira-e-mercado-de-trabalho Fontes:

  1. http://astro.if.ufrgs.br/hist/node3.htm
  2. http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/entrevista/quotvivemos-a-idade-de-ouro-da-astronomiaquot
  3. https://www.eso.org/public/brazil/announcements/ann18015/?lang




Moro no Brasil, onde posso estudar para me formar um astrônomo profissional?


No Brasil, muitos dos pesquisadores em astronomia e astrofísica fizeram bacharelado em física e depois a pós-graduação (que são mestrado e doutorado) em alguma área da astronomia. Mas existem também os que cursam diretamente a graduação em astronomia, o que traz alguma vantagem na questão de contato prévio e conhecimentos específicos da área. Também é possível se formar em outros cursos (como matemática, química e até mesmo engenharia) e fazer pós graduação em astronomia, tornando-se assim um astrônomo profissional. Ainda assim, os que pretendem trabalhar com pesquisa precisam fazer mestrado e doutorado, tanto aquele que se formou na graduação em astronomia, quanto física e outras.

Resumindo, não há obrigatoriedade de cursar astronomia já na graduação para se tornar um astrônomo profissional, apesar desse caminho propiciar um contato com astronomia desde o início.

As instituições que oferecem o curso superior (graduação) em astronomia no Brasil são: _____________________________________________________________________________________ ★ UFRJ, Observatório do Valongo
Tipo de curso: Bacharelado em astronomia com possível ênfase em astrofísica, computação, instrumentação, matemática ou divulgação científica. Onde fica? Rio de Janeiro, capital

Acesse: Página oficial do instituto Estrutura curricular Resumo desse curso no Guia do Estudante Mais sobre o ingresso na UFRJ na seção astronomia@UFRJ _____________________________________________________________________________________
USP, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Tipo de curso: Bacharelado em astronomia. Onde fica? São Paulo, capital

Acesse: Página do instituto Estrutura curricular Resumo desse curso no Guia do Estudante _____________________________________________________________________________________ UFS, Instituto de Física
Tipo de curso: Bacharelado em física com habilitação em astronomia. Onde fica? São Cristóvão, Sergipe

Acesse: Página oficial do instituto Estrutura curricular Resumo desse curso no Guia do Estudante _____________________________________________________________________________________ UFRGS, Departamento de Astronomia
Tipo de curso: Bacharelado em física com habilitação em astrofísica. Onde fica? Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Acesse: Página oficial do instituto Estrutura curricular Resumo desse curso no Guia do Estudante _____________________________________________________________________________________ A Aline Novais do poeiracosmica.com.br fez um vídeo excelente esclarecendo dúvidas sobre as diferenças entre cursar astronomia ou física na graduação. Assista: Ela também está no twitter e seu canal no YouTube tem sempre novidades. Nesse link aqui você encontra uma lista com todas as instituições que oferecem pós-graduação em áreas da astronomia no Brasil.




Quanto um astrônomo recebe no Brasil?


>> Atualizado em maio de 2018 Abaixo encontram-se alguns valores de bolsas praticados no Brasil. Cada agência de fomento tem sua tabela de valores. Se você tiver uma bolsa CNPq e seu amigo uma bolsa FAPESP, provavelmente o valor da bolsa de vocês será diferente, mesmo que ambos estejam no mesmo nível da formação. As bolsas variam no intervalo abaixo: Durante a graduação - entre R$ R$400,00 e R$677,00
》Durante o mestrado - entre R$1.500,00 e R$2110,20

》Durante o doutorado - entre R$2.200,00 e R$ 3.626,10

》Durante um pós-doutorado - entre ~R$4.000,00 e ~R$7.000,00 Aqui estão os links para as principais agências do fomento no Brasil. O link em cada leva às tabelas de bolsas atualizadas:

》Início de carreira acadêmica em centro de pesquisa ou universidade pública:
Concurso público, carteira assinada, direitos trabalhistas e estabilidade do servidor público, estando no Brasil - a partir de ~R$ 6.000,00.
Após o ingresso como professor-pesquisador, conforme os anos passam é possível aumentar o salário através do plano de carreira (algo bastante comum em cargos públicos). Para se ter uma ideia dos valores, é possível pesquisar no portal da transparência ( http://www.portaldatransparencia.gov.br/) o nome de algum astrônomo que você conheça. Abaixo alguns exemplos retirados de lá (salário líquido, já descontados os impostos).
  • Profissional A (concursado em 1987): R$8.997,22
  • Profissional B (concursado em 1990): R$6.960,94
  • Profissional C (concursado em 1990): R$12.038,19
  • Profissional C (concursado em 2004): R$8.371,44
  • Profissional D (concursado em 2007): R$7.169,34
  • Profissional E (concursado em 2008): R$6.688,07
  • Profissional F (concursado em 2011): R$6.351,70
O aumento de salário não se dá necessariamente pelo tempo de contratação, e sim pela ascensão vertical da carreira acadêmica, que é uma espécie de promoção que se ganha pela produção científica, orientações acadêmicas, trabalhos publicados, etc.

Quanto mais ativo academicamente o profissional, mais ele encorpa o seu currículo e ganha poder de pleitear junto a instituição a ascensão de categoria e os reajustes salariais. Como é possível perceber pelos salários acima, profissionais que entraram no mesmo ano possuem salários diferentes. Isso acontece porque eles estão em categorias de tipos de professores-pesquisadores diferentes. Nem todos fazem a ascensão, pelos mais variados motivos - pessoais ou não. 》Início de carreira em empresa privada ou universidade privada Contrato de trabalho com a empresa em carteira assinada - Depende do cargo, do grau obtido - a partir de ~R$ 3.000,00 (se tiver mestrado e/ou se tiver doutorado esse valor aumenta) Leia mais sobre carreira de astrônomo fora de instituições públicas nos tópicos
  • "Todo astrônomo profissional tem que seguir carreira acadêmica?"
  • "Pra ser astrônomo tenho que me teornar funcionário público?"




Todo astrônomo profissional tem que seguir carreira acadêmica?


Nem todos os astrônomos seguem uma carreira acadêmica. É possível trabalhar fora da universidade e em alguns desses lugares sem necessariamente fazer um mestrado e doutorado.

  • Empresas privadas como a Embratel.
  • Também é possível trabalhar com divulgação científica em museus como o MAST, planetários (como o do Rio de Janeiro, o de Duque de Caxias e o de São Paulo).
  • Escolas particulares dando aula de astronomia, física e matemática.
  • Escolas públicas (através de concurso, se for licenciado).
  • Fazer concursos públicos em outras áreas (àqueles que não desejam continuar na área de astronomia, mas aproveitam frutiferamente os conhecimentos adquiridos na formação) como IBGE, Petrobrás, etc.
  • Ser contratados por empresas privadas para trabalhar em outra área, como o exemplo do Marcelo Ferreira que é doutor em astrofísica e hoje trabalha para o Trivago como cientista de dados.




Pra ser astrônomo tenho que me tornar funcionário público?


Não necessariamente. A maioria dos astrônomos trabalham com pesquisa e também são professores de graduação ou pós-graduação, mas não obrigatoriamente esse caminho precisa ser seguido numa instituição pública. Existem universidades e empresas privadas que contratam astrônomos, por exemplo:




É necessário ir para o exterior para estudar astronomia?


É possível ficar no Brasil durante toda formação (graduação, mestrado e doutorado) bem como estabelecer plenamente uma carreira sólida estando no Brasil. Nosso país oferece todos os cursos necessários e os astrônomos podem trabalhar nas nossas universidades, institutos de pesquisas e planetários, museus e empresas privadas. No entanto, é bastante recomendado que se faça algum estágio no exterior. Essa experiência fora do Brasil costuma ser muito bem vista e conta como uma grande vantagem em seleções futuras. Talvez durante a pós-graduação seja uma boa hora para fazer um intercâmbio em alguma universidade ou instituto estrangeiro. É possível, por exemplo, fazer uma parte do mestrado ou do doutorado fora do Brasil (chamamos esta prática de "sanduíche"), mantendo a bolsa brasileira tanto fora quanto no retorno em tempo hábil de finalizar a etapa de formação. Também é muito comum sair do Brasil de vez em quando para participar de congressos, workshops e escolas no exterior bem como visitar observatórios (como os do Chile) e realizar observações nos telescópios. Para ler mais sobre estágios sanduíche, acesse:




Quais os idiomas um astrônomo brasileiro precisa saber?


Os profissionais em astronomia no Brasil precisam saber bem o português e o inglês. Muitos textos, livros e praticamente todos os artigos de revistas científicas são publicados em inglês, e por isso, para estudar e se manter atualizado do que acontece nas pesquisas e mesmo ter seu trabalho publicado é preciso saber se comunicar eficientemente em inglês. Se você não pôde fazer cursos de inglês durante sua infância/adolescência ou tem dificuldades com este idioma, não desanime. É super possível aprender mesmo já tendo saído da infância e as próprias universidades costumam ter cursos de inglês gratuitos como o Idioma Sem Fronteiras (tanto na modalidade curso on-line quanto curso presencial) ou na faculdade de Letras. Também é possível fazer grupos com seus amigos e trocarem ideias, discutirem vídeos, filmes, textos em inglês. Em alguns institutos esses grupos existem de forma permanente ou de forma periódica (as vezes com nome de Journal Club) e costumam ajudar muito no desenvolvimento e aprendizado do inglês. Outras línguas como o espanhol, o francês e o alemão podem ajudar durante as viagens, mas não são essenciais.

  • Curso de inglês gratuito na faculdade de Letras da UFRJ (se você estudar em outra universidade, procure saber se não existe algo parecido): https://www.clacufrj.org/
Além disso, existem inúmeras ferramentas gratuitas para aprender inglês como aplicativos para celular, canais no YouTube, ebooks, etc.




Quais são as áreas de trabalho na astronomia?


De acordo com Andrea da Costa Greff do Centro de Divulgação da Astronomia (USP):

"A astronomia é uma Ciência que se abre em um leque de categorias que se complementam pela física, química, biologia, história, entre tantas outras grandes ciências da humanidade. Por isso, com o decorrer do tempo houve a necessidade de subdividi-la para que houvesse uma melhor organização da pesquisa em cada área específica.

Essa subdivisão pode ser feita de acordo com alguns critérios que delimitam cada área. O primeiro desses critérios a serem considerados se refere à maneira de estudar e interpretar os dados astronômicos, podendo ser observacional, que trabalha com a obtenção de dados de diversos fenômenos astronômicos utilizando variados métodos, ou teórica, que cria e testa teorias e modelos que tentam explicar observações e prever novos resultados. Outro critério utilizado é referente à região do universo a ser explorada, abordada, e assim, consequentemente, os problemas por resolver se encaixam dentro da subdivisão referente à região estudada. Um último critério, já específico da astronomia observacional, é a divisão por áreas de acordo com a forma de obtenção dos dados astronômicos, isso com relação à freqüência da energia captada, ou seja, a região do espectro eletromagnético representado, além das altas energias, como raios cósmicos e ondas gravitacionais, que são tecnologias recentes.

Com base nos critérios utilizados, é possível obter uma classificação generalizada da astronomia, como representado abaixo:

Astronomia observacional (Áreas divididas de acordo com a região do espectro eletromagnético utilizado para captar imagens do Universo)

  • Astronomia de raios gama

  • Astronomia de raios-x

  • Astonomia ultravioleta

  • Astronomia óptica

  • Astronomia infravermelha

  • Radioastronomia

  • Astrometria e mecânica celestial

Astronomia observacional e teórica

  • Cosmologia - origem dos raios cósmicos, relatividade geral e cosmologia física

  • Astronomia extragaláctica - estrutura em grande escala da matéria no universo

  • Astronomia galáctica - formação e evolução de galáxias

  • Astronomia estelar - dinâmica e evolução estelar

  • Ciência planetária - dinâmica e evolução planetária

  • Astronomia solar - dinâmica e evolução solar

Campos interdisciplinares

  • Astronáutica

  • Astroquímica e cosmoquímica

  • Astrobiologia

  • Arqueoastronomia

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GREFF, Andrea da Costa. Os Campos de Pesquisa da Astronomia. São Carlos: USP, 9 jan. 2010. Palestra ministrada na Sessão Astronomia do CDCC-CDA.

Leia o texto na íntegra:




É necessário gostar de matemática e física pra cursar astronomia?


Para estudar profissionalmente a astronomia é preciso entender o funcionamento de algumas leis da natureza e a forma que o ser humano encontrou pra "ler" essas leis foi através da física e da matemática. Elas são ferramentas pro nosso entendimento do Universo. Sabemos que durante os anos de escola essas matérias podem ser bastante desmotivadoras e muitos alunos passam a odiá-las. Mas é interessante tentar enxergar com outros olhos. Às vezes só passamos a odiar porque não conseguimos entender como elas funcionam, criamos uma barreira invisível que nos diz que "não somos capazes" de aprendê-las. Isso acontece por diversos motivos, como não ter tido a chance de estudar em boas escolas ou ter tidos professores ruins nessas matérias, ou mesmo ter estudado numa escola que essas matérias nem tinham professores. Essa, infelizmente, é uma realidade no nosso país. Mas é possível reverter essa falta. Não dá pra dizer que é fácil, mas sim, é possível. Dá pra correr atrás e aprender a física e a matemática necessária para entrar na faculdade e, se continuar estudando bastante, ir bem no curso e seguir em frente com bons resultados. No entanto, se você esteve numa boa escola, teve bons professores e de fato sabe que não gosta de física e matemática e o único motivo que te leva a gostar de astronomia é a beleza dos astros e a curiosidade, você pode se tornar um astrônomo(a) amador. Os astrônomos amadores são aqueles que curtem a astronomia como hobby, ou seja, não trabalham profissionalmente como astrônomos, não têm na astronomia a sua fonte de sustento, possuindo emprego/trabalho em outra área e dedicando-se a astronomia majoritariamente nas suas horas vagas. Ainda assim, astrônomos amadores são muito importantes inclusive na colaboração com os astrônomos profissionais. Muito deles realizaram descobertas incríveis e sua atuação tem um espaço bastante importante na divulgação de ciência em nossa sociedade. Hoje em dia com a internet, o acesso a informação é fácil e barato. Existe muito material gratuito e cursos on-line que podem satisfazer o desejo pelo conhecimento em astronomia ( aqui mostramos alguns deles). Pode-se também fazer cursos em planetários e museus, desta forma você pode se atualizar e conhecer a astronomia um pouquinho mais profundamente, mesmo sem se dedicar profissionalmente. A física e a matemática são ferramentas fundamentais para os astrônomos profissionais e não dá para escapar delas na busca de responder os problemas que ainda não têm solução na ciência, no entanto, se realmente esta "não for sua praia", ainda é possível estudar astronomia e adquirir diversos conhecimentos de forma amadora




Os astrônomos trabalham todas as noites num telescópio?


Aquela imagem do astrônomo que passa suas noites com o olho grudado na pontinha do telescópio é bastante romântica, mas não corresponde a realidade da astronomia profissional moderna. Dentro da astronomia, pode-se optar por ter um trabalho mais voltado para observações ("astrônomo observacional") ou não. Alguns astrônomos optam por trabalharem mais voltados às teorias ou mesmo usando dados de observações feitas por outros astrônomos e que ficam disponíveis para download. Mesmo optando por uma carreira mais voltada as observações, as idas aos telescópios não costumam ser tão frequentes e são geralmente chamadas de missões observacionais que podem durar de uma única noite a várias noites algumas vezes durante o ano. Ao chegar no observatório (e nem sempre é necessário ir pessoalmente para observar) o astrônomo não gruda seu olho na ocular do telescópio. A luz dos objetos (estrelas, galáxias, planetas, etc) são captados por aparelhos que analisam esses dados e o contato que teremos com eles será através da tela do computador.




Qual a diferença entre planetário, observatório e telescópio?


A confusão entre planetário e observatórios astrônomicos é bastante comum. Também, pudera, ambos são relacionados a astronomia e ambos costumam ter aquele aspecto arredondado de cúpula quando vistos de fora. Mas os dois tipos de construção abrigam eventos com objetivos bastante diferentes, vamos falar um pouquinho sobre isso. Os planetários são locais que recebem o público constantemente e com o objetivo de ensinar astronomia. Seja com sessões de planetários (com o céu projetado na cúpula por dentro) ou com eventos teatrais e culturais ou mesmo com cursos periódicos voltado ao público em geral. Alguns planetários possuem também museus e exposições sobre astronomia muito legais e interativas, que atraem os públicos de todas as idades. Planetário do Rio e sua exposição Museu do Universo Para saber se existe um planetário perto de você, consulte a lista de planetários no Brasil do site da Associação Brasileira de Planetários: http://planetarios.org.br/o-que-e-um-planetario/planetarios/ Existe também os planetários móveis (infláveis) usados geralmente em visitas a escolas e centro educacionais para levar um pouco de astronomia e divulgação científica para crianças. Eu mesma tive a oportunidade de participar de uma sessão de planetário inflável na minha escola quando eu tinha uns 8 anos e foi inesquecível. :) Agora, e os observatórios? Geralmente chamamos de observatórios os lugares que reúnem vários telescópios e instrumentos astronômicos. A maioria dos observatórios são funcionais, isto é, pesquisas astronômicas são feitas nos dias de hoje utilizando os seus instrumentos. Por exemplo, o Observatório Pico dos Dias em Minas Gerais. Estes observatórios são locais de uso quase que exclusivo dos astrônomos profissionais. Alguns oferecem visitas diurnas guiadas algumas vezes no ano. No entanto, não é permitido aos visitantes permanecerem no observatório durante a noite Existe também os observatórios históricos. Eles já abrigaram instrumentos capazes de pesquisa científica, porém hoje estes instrumentos não são mais capazes de produzir dados para este fim e permanecem com esses instrumentos como museu e tesouro histórico. Um exemplo é o Observatório do Valongo que sedia os cursos de graduação e pós-graduação em astronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Observatório do Valongo também recebe o público diariamente e oferece palestras direcionada ao público, bem como oportunidade de observação do céu em algumas noites específicas ( fique de olho do Twitter).




Como é o mercado de trabalho? Vou ter emprego quando me formar?


Existe desemprego em massa na astronomia? Essa é uma questão bastante importante pra quem pensa em fazer astronomia profissional e existem muitos mitos em relação a isso. Geralmente fala-se que "astrônomos não ganham nenhum dinheiro" ou que "vão morrer de fome desempregados". Estas são afirmações bastante preconceituosas, geralmente vindas de quem não conhece a área e isso não há qualquer embasamento. Às vezes, nossas famílias e amigos podem dizer coisas desse tipo porque "ouviram falar" e se preocupam com o nosso futuro. Mas esse é um tipo de afirmação que pode mudar a vida das pessoas diante escolhas feitas em cima de algo não verdadeiro. Sempre pergunte a quem realmente está por dentro da situação diariamente e que realmente tenha conhecimento de causa. Formalmente, não existe uma estatística de desempregos na astronomia. O que pode acontecer é o astrônomo migrar de área, como depois de formado ir trabalhar com programação de softwares, estatística, física, engenharia, etc. Afinal, vou ter emprego quando me formar? Se estivermos pensando na carreira mais comumente seguida pelos profissionais em astronomia, isto é, a carreira acadêmica, temos que pontuar o que é "se formar".

  • Se a pergunta se refere a terminar a graduação:
Continua-se a formação fazendo pós-graduação (mestrado e doutorado). Neste caso, não podemos dizer que é exatamente um emprego*, mas este será o seu trabalho**. Você provavelmente será remunerado com uma bolsa de órgãos de fomento que em valores atualizados estão entre R$ 1.500,00 (mestrado) e R$ 2.200,00 (doutorado). Para ler mais sobre valores de remuneração, vá até o tópico "Quanto um astrônomo recebe no Brasil?". Para entrar na pós-graduação você precisa ter se formado (terminado a graduação) e encontrar um professor/pesquisador que aceite ser seu orientador, tendo um bom projeto para ser desenvolvido durante esta etapa de formação.
  • Se a pergunta se refere a terminar o doutorado:
Geralmente o recém doutor ingressa no seu primeiro pós-doutorado (ou pós-doc) e recebe uma bolsa para trabalhar fazendo pesquisa. Esta bolsa pode variar de R$ 4.000,00 a R$ 7.200,00 (dependendo do órgão de fomento). Ainda assim, não se tem acesso aos mesmos direitos que um emprego* geralmente oferece. Para concorrer a uma bolsa de pós-doc você precisará ter um bom projeto de pesquisa e um professor/pesquisador que aceite ser o seu supervisor e que esteja vinculado a um centro de pesquisa.
  • Se a pergunta refere-se a alguém que não pretende seguir a carreira acadêmica:
É possível conseguir um emprego assim que termina-se a graduação. Algumas empresas contratam estagiários que podem ser efetivamos quando recém formados (Veja a entrevista com a Erika Rosseto na guia Blog). Também é possível conseguir trabalho em planetários e museus de ciências.
  • Vou ficar rico fazendo astronomia?
Muito provavelmente não. Mas é plenamente possível ter uma vida bastante confortável, principalmente após terminar o doutorado. As bolsas de pós-doc já estão numa faixa em que é possível viver razoavelmente bem***. Após concurso público (quando se torna professor-pesquisador numa universidade) com maiores benefícios de um emprego estável, é possível ter uma vida ainda mais satisfatória para a maioria das pessoas. Agora, se você deseja ter seu próprio helicóptero e não vem de família já bem estabelecida financeiramente (nem seja ganhador da Mega Sena) talvez seja bom escolher outra área. :') -- * Durante a pós-graduação e pós-doc não são oferecidos os direitos trabalhistas inerentes a outros empregos de carteira assinada. Sequer há carteira assinada. Nem pagamento de previdência social (ou seja, não há auxílio doença, seguro desemprego, etc). Nem direito a férias remuneradas, nem décimo terceiro salário, etc. ** Supondo que o aluno de pós-graduação tem no mestrado/doutorado sua fonte de renda (bolsa). Há casos em que o pós-graduando consegue manter um emprego formal fora da universidade e fazer a pós-graduação paralelamente (geralmente sem bolsa). *** Se a sua cidade não tiver um custo de vida muito elevado. E logicamente, dependendo muito da individualidade de cada um do que é "viver razoavelmente bem".




É possível fazer faculdade de astronomia e ter um emprego ao mesmo tempo?


Essa é uma outra questão bastante comum. Muitas pessoas que já tem uma vida razoavelmente estruturada com emprego e família têm o desejo de mudar de área e realizar o sonho de cursar astronomia. É preciso entender que essa é uma pergunta sem resposta absoluta e pode depender muito da pessoa, do tipo de emprego que ela tem e de qual universidade ela vai entrar. No caso da UFRJ: O curso de graduação em astronomia é integral e em alguns períodos existe a possibilidade de ter aula de 8 da manhã as 8 da noite. No entanto, é possível, ao menos no início do curso, tentar flexibilizar a grade de horários e conciliar com turmas não presenciais (existem algumas poucas turmas disponíveis para algumas poucas matérias nessa modalidade). No entanto, conforme for avançando no curso, será cada vez mais difícil conseguir turmas em horários não comerciais, inclusive as matérias específicas de astronomia, que geralmente são na parte da tarde (entre 13h e 20h). Se o aluno tiver um emprego com horários bastante flexíveis, podendo adaptar um dia trabalhar mais horas que no outro, ou ir fazendo banco de horas, talvez sim, seja bastante viável concluir o curso mantendo o emprego. Se você quiser ter uma noção do quadro de horários das matérias que a astronomia faz na UFRJ, veja aqui (esses horários geralmente não mudam):

-- Alguns pontos gerais importantes:
  • Muito provavelmente o seu emprego terá que ter horário flexível. Se ele exige que você esteja presente no horário comercial, isso pode dificultar bastante as coisas, porque algumas disciplinas da faculdade terão horários fixos não negociáveis (muitas, não todas). Você vai ter que adiar as disciplinas de algum horário, manhã ou tarde, e levar mais tempo para se formar, mas não veja isso como um impedimento.
  • Há de se ter em mente que não será exatamente uma tarefa fácil conciliar emprego e a faculdade de astronomia porque o curso em si exige bastante dedicação e horas de estudo extra-classe, além de trabalho em Iniciação Científica e Extensão (nos períodos mais adiante).
  • Não veja isso como uma barreira intransponível. As universidades oferecem bolsas de Iniciação Científica, Extensão e outras modalidades como ajuda de custo. Os valores costumam ser bem baixos (de R$ 400,00 a R$ 700,00), mas ainda assim é algo válido.
  • Esta talvez seja a oportunidade de realmente mudar de vida, deixar pra trás uma rotina insatisfatória e ir correr atrás de um sonho. Você TALVEZ possa conseguir um novo emprego com horários mais flexíveis, home office, outras fontes de renda (dar aulas particulares, por exemplo) até conseguir se estabilizar de forma mais consistente. Sabemos que não será fácil e não adianta também pular de cabeça sem ter o pé no chão, mas se sua estrutura familiar te permite fazer essa escolha, vá em frente.
-- Futuramente este tópico será atualizado inserindo também informações da USP e UFS.




Se eu fizer astronomia no Brasil eu posso ir trabalhar na NASA?


Sim! Muitos brasileiros e formados no Brasil trabalham na NASA. Temos alguns nomes bastante famosos como a Dra. Duília de Mello e o Dr. Ivair Gontijo que são uma astrônoma e um físico, respectivamente. Mas também é possível ir trabalhar na NASA em muitas outras funções e áreas, como engenharia, ciência da computação, etc. A NASA é a agência espacial americana (EUA) e está no imaginário de todo mundo que gosta de astronomia, afinal, vemos referências constantes a ela em filmes e séries. Existem outras agências espaciais muito importantes pelo mundo como ESA (Europa) e Roscosmo (Rússia) mas quase ninguém fala delas justamente por não aparecerem tanto nos filmes e TV.




Tem muitas mulheres na astronomia? Ou é um ambiente majoritariamente masculino?


De acordo com a profa. Sueli Viegas¹ (IAG/USP): "O caso da escassez de mulheres em ciências no Brasil não é diferente, em particular nas áreas de exatas e engenharia. Uma análise do problema na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) incluindo estudantes e docentes aponta para “a inexistência de diferenças reais por sexo na capacidade de aprendizado e na dedicação dos alunos nas carreiras consideradas “masculinas”, que incluem as ciências exatas e tecnológicas ou engenharias” (Vasconcellos e Brisolla, 2009). A conclusão, semelhante à encontrada por Hill et al. (2010), é: as alunas têm apresentado melhores coeficientes de rendimento que seus colegas nos mesmos cursos. Por esse motivo, o pouco interesse das vestibulandas por cursos dessa natureza só é explicável por hábitos culturais e preconceitos que se enraizaram na forma diferenciada com que se criam as meninas e os meninos" (Vasconcellos e Brisolla, 2009)." Pelo recente estudo de gênero da Elsevier (publicado na Folha): "Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total). Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: "Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional", diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP. Nas chamadas ciências duras [exatas], no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados. Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas", diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero. Fato: um estudo publicado na revista científica "Science" em fevereiro [de 2017] mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola –que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas. "Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar", diz Barbosa. "Ciências exigem experimentação." De acordo com o Centro de Divulgação de Astronomia² da USP: "A pequena participação das mulheres em várias áreas da ciência tem como origem em elementos de exclusão construídos socialmente ao longo dos séculos. Apesar disso, a Astronomia e Astrofísica são áreas que apresentam uma contra-tendência: a Astronomia moderna não seria o que é hoje sem a contribuição de tantas mulheres que trouxeram avanços fundamentais para esse campo." -- Apesar de nos últimos anos estarmos vendo uma melhora considerada nesse panorama, geral em todas as ciências ainda é necessária muita luta para equilibrar as coisas. Especificamente na astronomia, vemos um grande número de alunas nos anos iniciais de estudo e que vai diminuindo conforme o grau de formação aumenta. Ou seja, muitas alunas na graduação (em torno de ~50%), mas ainda no topo da formação e hierarquia, vemos bem menos professoras que professores. Leia os textos citados: ¹ https://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2017/03/1864542-mulheres-ja-produzem-metade-da-ciencia-do-brasil-diz-levantamento.shtml ² http://www.cdcc.usp.br/cda/sessao-astronomia/2017/Mulheres-na-Astronomia-11-03-2017.pdf ³ http://site.mast.br/pdf_volume_2/astronomia_brasileira_no_feminino.pdf Vale muito a pena ler:




Pra que serve o orientador acadêmico? Que obrigações eu tenho com ele(a)?


O orientador acadêmico é o professor que irá te ajudar (é o que se espera) a tomar decisões sobre a carreira, dar conselhos e também é ele(a) que dará autorização (ou não) nas disciplinas que você quiser fazer.

Em todo início de período fazemos o PEDIDO de inscrição de disciplinase este pedido vai para o nosso orientador que aceitará ou não as disciplinas que você pediu inscrição. O ideal é que SEMPRE ANTES de fazer a inscrição você converse com o seu orientador sobre os planos do período.

O orientador acadêmico costuma ser sorteado logo quando o aluno é matriculado. Caso o aluno não sinta afinidade com o professor sorteado, ele poderá pedir discretamente na secretaria que seu orientador seja mudado.

Quando o aluno começa a fazer Iniciação Científica (IC) o orientador também pode mudar. Se o professor escolhido para fazer IC for o mesmo que ele já tem como orientador, nada muda.

Se o aluno se interessar por fazer IC numa área que não é a mesma do seu orientador (por exemplo, o orientador trabalha com astrofísica extragaláctica, mas o aluno gostaria de trabalhar com astrofísica estelar) o aluno procurará o professor desta nova área com o qual gostaria de trabalhar - peça conselhos aos seus veteranos - e ao iniciar a IC, automaticamente sua orientação acadêmica mudará para este novo professor da sua área escolhida.




O que é a reunião anual da SAB (Sociedade Astronômica Brasileira)? A partir de quando eu posso ir?


A reunião da SAB acontece uma vez por ano e cada ano (geralmente) numa cidade diferente.

Esta reunião é um congresso nacional e muita gente da astronomia participa, desde alunos de graduação até os pesquisadores mais famosos. Há apresentações de trabalho em palestras e em pôsters. Acontece também uma assembleia, que é uma reunião "administrativa", onde discute-se questões importantes para a comunidade astronômica, apresenta-se novos membros da SAB, etc.

As reuniões anuais da SAB são excelentes oportunidades pra conhecer pessoas, fazer amizades e contatos profissionais, além de já dar ao aluno uma ideia de como acontecem os congressos de ciência. Costuma-se começar a frequentar a SAB quando se tem um trabalho de Iniciação Científica em andamento, mas nada impede de ir antes.

Acesse o site da SAB para ver mais: http://www.sab-astro.org.br/




Quais as diferenças entre astronomia profissional e astronomia amadora?


O profissional em astronomia dedica sua vida a esta ciência e tira dela o seu sustento, quando o valor da remuneração pelo seu trabalho já possibilita isso. Tem uma longa formação, geralmente fazendo graduação e pós-graduação em astronomia e dedida a maior parte do seu tempo e esforço nessa jornada. Não é um caminho fácil nem cheio de flores, porém, existem muitas recompensas se esta é a real vontade de realização profissional. Já sobre o astrônomo amador, de acordo com o site Astronomia no Zênite: "Astronomia é uma das poucas áreas onde o amador é bem-vindo e não interfere no trabalho do profissional. Muito pelo contrário: os amadores complementam essa atividade, atuando na divulgação e na observação “à moda antiga” (olhando o céu com telescópios de pequeno e médio porte). Alguns amadores são excelentes construtores de telescópios, observam sistematicamente estrelas variáveis, manchas solares, cometas, planetas e a Lua. Por isso, muitas descobertas são feitas por eles. Durante o programa Apollo, astrônomos amadores de várias partes do mundo foram recrutados para auxiliar na missão. Profissionalmente eles vêm das mais diversas áreas (são médicos, advogados, arquitetos etc) e tratam a Astronomia como um hobby, uma paixão. Se você não se sente confortável com tanta Matemática e Física, ou simplesmente tem mais aptidão para outras áreas, nunca se esqueça que a Astronomia amadora será sempre uma porta aberta. "
Costa, J. R. V. Carreira de astrônomo. Astronomia no Zênite, ago 2008. Leia completo em: http://www.zenite.nu/carreira-de-astronomo/




Qual curso é mais difícil? O da UFRJ, USP, UFS ou UFRGS?


Ao compararmos as grades horárias dos cursos de astronomia (e também os de física) no Brasil, podemos ter uma falsa impressão que um ou outro é "muito mais puxado" por conta da quantidade de créditos atribuídos às disciplinas. (Veja o tópico "Moro no Brasil, onde posso estudar para me formar astrônomo?") As disciplinas geralmente mostram a quantidade de créditos relacionada a quantidade de horas semanais, mas nem sempre é 'exato'. Alguns exemplos:

  • A física experimental da UFRJ conta apenas 1 crédito, mas são 2 horas de aula por semana, carga horária total de 30 horas-aula.
  • Cálculo 1 tem 6 créditos e são 6 horas de aulas por semana, carga horária total de 90 horas-aula)
Então, é necessário considerar duas questões
  • A primeira é que a quantidade de créditos não diz muito sobre a quantidade de horas-aula, universalmente falando. Imagino que cada universidade tenha sua própria lógica nesse cálculo de "quanto cada crédito vale o quê", então não faria sentido comparar duas grades de disciplinas em duas universidades diferentes apenas pela quantidade de créditos. Digo, não dá pra dizer que curso X é mais pesado/difícil que o curso Z porque a grade de X tem YY mais créditos que a grade do Z. Isso acontece inclusive nas pós-graduações também. Exemplo, no mestrado no OV/UFRJ você tem que fazer 24 créditos divididos em 6 disciplinas enquanto no IAG/USP você tem que cumprir 44 créditos divididas em apenas 4 disciplinas. Isso quer dizer que um mestrado é mais difícil que o outro? Não.
  • A segunda é que, mesmo sabendo a quantidade de horas-aula, tem-se que ponderar também a 'dificuldade' das matérias, o quanto ela te exige fora da sala de aula, quantas horas você precisa dedicar além da aula pra conseguir, pelo menos, passar na matéria. Algumas disciplinas tem uma proporção da quantidade estudo fora da sala para quantidade de horas-aula muito grande. Como por exemplo, pra cada hora de aula de física, dedicar extra-classe umas 5-6 horas de estudo da matéria em casa.




Eu posso fazer licenciatura (em física, matemática, etc) para depois entrar na pós-graduação em astronomia? Ou só bacharelado?


Há diversas pessoas que fizeram esse caminho e conseguiram seguir adiante na formação, sem grandes problemas e estão muito bem hoje. Ter feito licenciatura não é impedimento. Pode ser que você tenha que estudar algumas coisas bastante novas nas disciplinas de pós-graduação ou mesmo pra sua pesquisa (afinal, você estaria vindo de outra área) mas nada que te impeça de seguir adiante. Se você fizer a prova de mestrado (geralmente com conteúdos de física e matemática), conseguir uma nota boa, tiver um orientador que trabalhe no que você quer e esteja disposto a te receber naquele instituto, você pode perfeitamente conseguir uma vaga no programa de pós-graduação. Só aconselho que leia com antecedência os editais da instituição que você desejar ir e o céu é o limite.





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